PIB ou FIB?

Roberta Ribeiro*

Todo mundo já ouviu falar no Produto Interno Bruto, o PIB, não é mesmo? Aquele índice que indica crescimento econômico e consequentemente desenvolvimento. Há vinte e dois anos, um remoto país encravado nas montanhas do Himalaia, entre a Índia e a China, vem discutindo a competência do PIB em medir desenvolvimento. Segundo o rei do país budista até 2006, Jigme Singye Wangchuk, somos seres multidimensionais, portanto precisamos de um índice também multidimensional, para representar fidedignamente o desenvolvimento.


O FIB, Felicidade Interna Bruta, abrange dimensões como o bem-estar psicológico, gestão equilibrada de tempo, vitalidade comunitária, proteção ambiental e acesso a cultura.

O índice proposto pelo pequeno país como alternativa ao PIB é a Felicidade Interna Bruta, o FIB. Sua importante contribuição é ser um índice multidimensional que integra as várias dimensões humanas, levando em conta, inclusive, a espiritualidade. Ser feliz é o propósito humano. Isso inclui bem-estar em nove dimensões, propõe o Butão. O core do índice é o bem-estar psicológico, que abrange três níveis: a saúde mental, o equilíbrio emocional e a espiritualidade. As outras dimensões – gestão equilibrada de tempo, bom padrão econômico de vida, boa governança, educação qualitativa, boa saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental e acesso a cultura – orbitam o centro. Influenciando e sendo influenciadas por ele.

Atualmente, assistimos à difusão mundial deste índice, sendo utilizado por vários países, como Canadá, Honduras e México; agora está sendo implantado no Brasil. Em outubro de 2008, Dasho Karma Ura, presidente do Conselho Nacional do Butão, Michael Pennock, diretor do Observatório para Saúde Pública de Vancouver, Canadá, e Susan Andrews, psicóloga e monja iogue, coordenadora da ecovila Parque Ecológico Visão Futuro, no interior de São Paulo, estiveram na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica, na capital paulista), discutindo indicadores de felicidade. Segundo a monja, este é o momento para avaliarmos qual o caminho que queremos trilhar: seguir o modelo do sonho americano e enfrentar as dificuldades que os EUA enfrentam atualmente, como altos índices de depressão e infelicidade; ou aplicarmos o FIB para construirmos uma sociedade sustentável e feliz. Uma decisão coletiva, mas que nasce na individualidade e no cotidiano de cada um. A quantas anda a sua felicidade? Este é o foco, se quisermos construir equanimidade e sustentabilidade.


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Roberta Ribeiro é médica formada pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), com especialização em infectologia, homeopatia, antroposofia, medicina ayurvédica, psicologia, além de Teoria Integral, pelo Instituto Integral, nos EUA. É fundadora da Medicina Integral & Coaching de Vida. Foi aluna da 1ª Oficina de Redação em Divulgação Científica, realizada em 2008, com participação da Legulus, na Escola de Comunicações e Artes da USP.


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