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Oneomania ou consumo compulsivo Claudete Aparecida Bernardes Mira* Quando falamos de indivíduos que não conseguem parar de comprar e que em determinado momento começam a contabilizar prejuízos financeiros, pessoais e de relacionamento provocados pelo descontrole nas compras, nos referimos às pessoas que sofrem de oneomania, o desejo exagerado de comprar. Na maioria das vezes o objeto comprado será jogado em um canto qualquer e esquecido. As mulheres e jovens são as maiores vítimas dessa compulsão. Alguns estudiosos relatam que a oneomania é uma doença obssessiva-compulsiva e pode ser associada a transtornos de humor e ansiedade. É importante que a pessoa portadora de oneomania seja diagnosticada o quanto antes para iniciar o tratamento médico. A psicóloga Denise Gimenez Ramos, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP, diz que o oneomaníaco sofre uma enorme pressão interna que o leva à necessidade de possuir coisas novas como única forma de prazer. Esse prazer assemelha-se ao do usuário de drogas: para sentir-se bem, precisa fazer uso de cocaína, por exemplo. Segundo André Malbergier, médico e professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador do GREA, Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas, em entrevista ao Dr. Drauzio Varella, embora pesquisas mostrem que “quase todo o mundo, de vez em quando, compra por impulso, quer dizer, que comprar por impulso faz parte da natureza humana, o comprador compulsivo não cede a essa pressão eventualmente. Cede sempre, em especial se estiver dominado por sentimentos negativos, entristecido, com baixa auto-estima e dificuldade de relacionamento.” Situações que levam uma pessoa a ser oneomaníaca
A falta ou o excesso de limites na criação dada pelos pais resulta em um quadro depressivo que se manifesta como sensação de vazio interno. “Enquanto está comprando sente alívio e prazer, superando momentaneamente seus sentimentos de angústia, vazio, desprazer e tristeza. Como todo vício, tão logo passe o efeito, é preciso uma nova dose para voltar a se sentir bem. Isso gera um círculo vicioso, pois se sente culpado pelos seus excessos, mas não consegue controlar”, afirma a psicanalista Ana Ester Nogueira (Radicais Livres, Ano VII, nº 338, de 9 a 15 de dezembro de 2003). As pessoas só percebem que são compradoras compulsivas quando a vida financeira está totalmente desequilibrada. O montante da dívida ultrapassa até dez vezes o seu salário. Com a baixa renda e o risco de desemprego, comprar com cautela é a palavra de ordem para as festas de finais de ano. “Já vivemos em uma sociedade de consumo; com esse apelo de Natal, os jovens e mulheres possivelmente ficam mais vulneráveis”, afirma Juliana Bizeto, coordenadora do setor que trata de compras compulsivas no Programa de Orientação e Atendimento a Dependente (Proad). O Programa de Atendimento de Compradores Patológicos do Proad, da Universidade Federal de São Paulo, dispõe de um serviço de ambulatório composto de diversas modalidades de atendimento gratuito. É possível agendar entrevista pelo telefone (11) 5579-1543.
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