Observações do céu que “sacudiram” homens na Terra
Há 400 anos ocorreram as primeiras observações do céu por meio de uma luneta.
Os homens da ciência e da fé não continuaram os mesmos a partir desse episódio histórico

Milton Schivani*


Manuscritos dos desenhos de Galileu referentes às suas primeiras observações da Lua.

Quem trabalha ou já teve a oportunidade de trabalhar com o grande público em uma observação da Lua por meio do telescópio provavelmente já ouviu a expressão “Olha que legal! A lua é cheia de buraquinhos.”

Essa observação parece ser tão banal para nós, que às vezes sorrimos, achando graça naquele gesto, naquele ar de espanto, no olhar de contemplação do público que observa a lua pela primeira vez ao telescópio. Então nos perguntamos: se nos dias atuais encontramos pessoas que se espantam ao observar as crateras lunares, ou peculiaridades de um outro astro qualquer através de instrumentos ópticos, o que dizer então das observações de Galileu Galilei (1564-1642) em seu tempo?

Acreditava-se que a Lua constituía uma superfície esférica perfeita e lisa e que a Terra era o centro do universo. Nesse período, mais precisamente no ano de 1609, o filósofo e matemático italiano Galileu Galilei fez suas primeiras observações do céu utilizando uma luneta por ele próprio construída; isso o ajudou a constatar que as afirmações dos filósofos aristotélicos sobre a Lua e a posição privilegiada da Terra estavam equivocadas.

Galileu descobre então que a Lua na verdade exibe um relevo parecido com o da Terra, com montanhas elevadas, vales e cavidades, e constatou a existência de satélites naturais orbitando Júpiter (nunca vistos antes). Esse audacioso investigador observou também que o planeta Vênus apresenta fases como nossa Lua e que o Sol exibia manchas escuras.


Capa do livro Sidereus nuncius, originalmente publicado em 1610.

As observações iniciais realizadas por esse popularizador da ciência, considerado o primeiro físico experimental da história, foram publicadas em 1610 no livro Sidereus nuncius (Mensageiro dos céus). Em tal obra, o poeta e escritor Galileu Galilei expõe principalmente seus estudos sobre a Lua e os satélites de Júpiter.

Os trabalhos desse filósofo e professor de matemática lançaram a Europa em calorosos debates científicos e contribuíram a favor do modelo heliocêntrico, que iria desbancar a Terra de sua posição privilegiada e dogmática, atingindo ferozmente diferentes poderes da sociedade de então, principalmente a Igreja Católica.

Celebrando os 400 anos desde as primeiras observações de Galileu Galilei e do uso da luneta para fins astronômicos, a Itália juntamente com a União Astronômica Internacional (UAI) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), uniram-se para marcar 2009 como o Ano Internacional da Astronomia. Desse modo, na 62ª Assembleia da Organização das Nações Unidas, declarou-se por unanimidade 2009 o International Year of Astronomy (IYA2009).

Neste ano de 2009, mais do que nunca, esteja convidado a redescobrir e se deslumbrar com o céu. Para maiores informações sobre essa campanha mundial e saber sobre os eventos e atividades programadas no Brasil, acesse http://www.astronomia2009.org.br/. Um universo para você descobrir.


* Milton Schivani
atua na área de Ensino de Física, principalmente nos seguintes temas: Ensino de Ciências, Divulgação Científica e Ensino e Difusão da Astronomia em Espaços Não Formais. Possui graduação em Licenciatura Plena em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atualmente cursa mestrado em Ensino de Ciências, modalidade Física, pela Universidade de São Paulo (USP). Foi aluno da 2ª Oficina de Redação em Divulgação Científica, realizada em 2009, com participação da Legulus, na Escola de Comunicações e Artes da USP.


Ler as demais matérias desta edição

Retornar à edição atual